Fetichismo da mercadoria (Fetischcharakter der Ware) — Conceito de Karl Marx segundo o qual, na produção mercantil, as relações sociais entre os produtores aparecem como relações entre coisas dotadas de propriedades próprias. Está exposto em O Capital, Livro I, cap. 1, seção 4 (“O caráter fetichista da mercadoria e seu segredo”). Marx observa que a mercadoria parece trivial, mas revela-se cheia de “sutilezas metafísicas”: o caráter social do trabalho de cada um surge como propriedade objetiva dos produtos, e o valor, como qualidade natural das coisas. Os produtores só se relacionam socialmente pela troca; assim, o movimento de preços parece lei independente, que domina os próprios homens. A analogia é com a religião, em que produtos do cérebro humano parecem figuras autônomas; o termo “fetiche” vinha da etnologia religiosa do século XVIII (Charles de Brosses, 1760). Para Marx, o fetichismo não é mero erro de percepção: decorre da forma social do trabalho em uma economia de produtores privados e independentes, e só desapareceria com outra forma de organização. Desdobramentos: Georg Lukács, em História e consciência de classe (1923), desenvolveu-o como reificação (Verdinglichung), ver Georg Lukács; Guy Debord retomou o tema em A sociedade do espetáculo (1967). Críticas: leituras estruturalistas, como a de Louis Althusser (Ler O Capital, 1965), rejeitam centrar o marxismo na alienação e nas categorias de matriz hegeliana; economistas de outras escolas contestam a teoria do valor-trabalho que o pressupõe, como se vê na crítica de Böhm-Bawerk (ver mais-valia). Ver também alienação e ideologia, além do artigo Marx: materialismo histórico, mais-valia e fetichismo da mercadoria.


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