Falácia (do latim fallacia, “engano”, de fallere, “enganar”) — Erro de raciocínio que torna um argumento inválido ou persuasivo sem boas razões, embora pareça correto. O estudo sistemático remonta a Aristóteles, cujas Refutações Sofísticas (De Sophisticis Elenchis) catalogam treze tipos de raciocínio aparente, seis dependentes da linguagem (como a equivocação e a anfibologia) e sete independentes dela. Em Ensaio sobre o Entendimento Humano (1689, IV, 17), John Locke introduziu os nomes ad verecundiam e ad ignorantiam e consagrou o de ad hominem, já usado antes dele. Em Fallacies (1970), C. L. Hamblin criticou o tratamento tradicional, considerado superficial. Falácia não é o mesmo que sofisma, em geral entendido como falácia usada com intenção de enganar. Distinguem-se as formais e as informais.
Falácias formais (erro na estrutura lógica, independente do conteúdo):
- Afirmação do consequente: “Se choveu, a rua está molhada; a rua está molhada; logo, choveu” (pode ter sido um caminhão-pipa).
- Negação do antecedente: “Se choveu, a rua está molhada; não choveu; logo, a rua não está molhada.”
- Termo médio não distribuído (no silogismo): “Todos os cães são mamíferos; todos os gatos são mamíferos; logo, todos os cães são gatos.”
- Quatro termos (quaternio terminorum): usar um termo com dois sentidos na mesma inferência.
Falácias informais (erro de conteúdo, relevância ou linguagem):
- Ad hominem: atacar a pessoa, não o argumento.
- Apelo à autoridade indevida: “Um famoso ator disse que a vacina é perigosa.”
- Espantalho: refutar uma versão distorcida da tese do adversário.
- Falsa dicotomia: “Ou você está conosco ou contra nós.”
- Petição de princípio (petitio principii): a conclusão já é pressuposta nas premissas.
- Apelo à ignorância: “Ninguém provou que não existe, logo existe.”
- Falsa causa (post hoc ergo propter hoc): “Depois que troquei de camisa, o time venceu.”
- Generalização apressada: concluir de poucos casos.
- Ladeira escorregadia: alegar sem prova uma cadeia de consequências inevitáveis.
- Apelo ao povo (ad populum): “Todos acreditam, logo é verdade.”
- Falácia naturalista, tratada em verbete próprio.
Ver também: Lógica, Dedução e indução, Falácia naturalista, Aristóteles.