Falácia naturalista (naturalistic fallacy) — Termo cunhado por G. E. Moore nos Principia Ethica (1903) para o erro de identificar o bom (good) com alguma propriedade natural, como o prazer, ou metafísica. Para Moore, “bom” designa uma propriedade simples e indefinível, que não se reduz a nenhuma outra. Seu principal instrumento é o argumento da questão em aberto (open question argument): para qualquer definição proposta, por exemplo “bom é o que produz mais prazer”, continua sendo uma questão significativa perguntar “mas isso é bom?”, o que mostraria que as expressões não são sinônimas. Moore dirigiu a crítica a autores como Herbert Spencer e, em parte, a John Stuart Mill, cujo utilitarismo tentaria definir o bem pelo prazer ou pelo desejo. Convém não confundir a falácia naturalista com o “problema é-deve” (is-ought), associado a David Hume, que no Tratado da Natureza Humana (III, 1, 1) observa que autores passam de proposições com “é” a proposições com “deve” sem justificar a transição. Os dois temas são aparentados, mas distintos: o de Hume é sobre inferência lógica, o de Moore sobre definição. Frankena (1939) objetou que o nome é impróprio, pois o erro não seria propriamente uma falácia lógica. Na linguagem corrente, “falácia naturalista” também designa o apelo à natureza, isto é, a inferência de que algo é bom por ser natural ou de que algo deve ser porque é; esse uso difere do de Moore. Ver também a noção de falácia.

Ver também: G. E. Moore, Hume, Ética, Bem.


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