Existencialismo — Movimento filosófico dos séculos XIX-XX que afirma o primado da existência concreta e singular do indivíduo sobre qualquer essência abstrata ou sistema totalizante. O nome deriva do termo existência (do latim existere, “destacar-se”, “vir a ser”) e firmou-se na França do pós-guerra. A fórmula sartriana “a existência precede a essência” sintetiza sua tese central: o ser humano não possui natureza fixa dada de antemão, mas se constitui através de suas escolhas livres, sendo responsável por aquilo que faz de si. Kierkegaard é considerado precursor ao opor a subjetividade apaixonada ao sistema hegeliano, enfatizando a angústia, o salto de fé e a irredutibilidade do indivíduo. Herdando o método fenomenológico de Husserl, Heidegger, embora rejeite o rótulo, fornece bases ontológicas decisivas com a analítica existencial do Dasein (Ser e Tempo, 1927). Sartre sistematiza o existencialismo ateu em O Ser e o Nada (1943) e o populariza na conferência O Existencialismo é um Humanismo (conferência de 1945; publicada em 1946): a consciência (o para-si) é pura liberdade condenada a escolher, sem desculpas nem refúgio na má-fé — a fuga ilusória da própria liberdade. Simone de Beauvoir aplica o quadro existencialista à condição feminina (“não se nasce mulher, torna-se mulher”). Camus, embora se distancie do rótulo, elabora o tema do absurdo — a confrontação entre o anseio humano de sentido e o silêncio do mundo. Marcel e Jaspers representam vertentes existencialistas cristãs, próximas dos temas da liberdade, da angústia e da finitude.
Existencialismo
Movimento filosófico dos séculos XIX-XX que afirma o primado da existência concreta e singular do indivíduo sobre qualquer essência abstrata…