Existencialismo — Movimento filosófico dos séculos XIX-XX que afirma o primado da existência concreta e singular do indivíduo sobre qualquer essência abstrata ou sistema totalizante. A fórmula sartriana “a existência precede a essência” sintetiza sua tese central: o ser humano não possui natureza fixa, mas se constitui através de suas escolhas livres. Kierkegaard é considerado precursor ao opor a subjetividade apaixonada ao sistema hegeliano, enfatizando a angústia, o salto de fé e a irredutibilidade do indivíduo. Heidegger, embora rejeite o rótulo, fornece bases ontológicas decisivas com a analítica existencial do Dasein (Ser e Tempo, 1927). Sartre sistematiza o existencialismo ateu em O Ser e o Nada (1943): a consciência (para-si) é pura liberdade condenada a escolher, sem desculpas nem refúgio na má-fé. Simone de Beauvoir aplica o quadro existencialista à condição feminina (“não se nasce mulher, torna-se mulher”). Camus, embora se distancie do rótulo, elabora o tema do absurdo — a confrontação entre o anseio humano de sentido e o silêncio do mundo. Marcel e Jaspers representam vertentes existencialistas cristãs.


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