Eterno Retorno — Conceito central na filosofia de Friedrich Nietzsche, segundo o qual cada momento da existência se repete infinitas vezes, idêntico em todos os detalhes, num ciclo sem começo nem fim. É formulado pela primeira vez na obra publicada em A Gaia Ciência (1882, §341, “O peso mais pesado”) como um experimento de pensamento: imagine que um demônio lhe dissesse que esta vida, tal como você a vive agora, terá de vivê-la mais uma vez e incontáveis vezes mais, sem nada de novo. A ideia opera em registros distintos. Como critério existencial, é o “peso mais pesado” que seleciona: somente quem pode afirmar integralmente a própria vida suporta desejar sua repetição eterna. Como cosmologia, aparece nos fragmentos póstumos da década de 1880 como hipótese de que, num universo finito em forças mas infinito em tempo, todas as configurações acabam por se repetir ciclicamente. Como pensamento ético-seletivo, funciona como imperativo imanente — “vive de tal modo que queiras viver de novo” —, substituindo a moral transcendente por um critério interno de valor. O tema é desenvolvido de forma dramática em Assim Falou Zaratustra (1883-85), onde Zaratustra adoece ao encarar o pensamento e só depois o assume. Gilles Deleuze, em Nietzsche e a Filosofia (1962), interpreta o eterno retorno como princípio seletivo ontológico: só retorna aquilo que se afirma, o que é ativo, enquanto o reativo e o niilista se eliminam. O conceito articula-se estreitamente ao amor fati (amor ao destino) e à vontade de potência como peças do pensamento afirmativo nietzschiano.
Eterno Retorno
Conceito central na filosofia de Friedrich Nietzsche, segundo o qual cada momento da existência se repete infinitas vezes, idêntico em todos os…