Eterno Retorno — Conceito central na filosofia de Friedrich Nietzsche, formulado inicialmente em A Gaia Ciência (§341) como experimento de pensamento: “E se um demônio te dissesse que esta vida, tal como a vives agora, terás de vivê-la mais uma vez e incontáveis vezes mais?” A ideia opera simultaneamente em múltiplos registros: (1) como critério existencial — o “peso mais pesado” que seleciona: só quem pode afirmar integralmente a vida suporta desejar sua repetição eterna; (2) como cosmologia — a hipótese de que, num universo finito em forças mas infinito em tempo, todas as configurações se repetem ciclicamente (tema dos fragmentos póstumos de 1881-88); (3) como pensamento ético-seletivo — funciona como imperativo: “vive de tal modo que queiras viver de novo” — substituindo a moral transcendente por um critério imanente de valor. Deleuze (Nietzsche e a Filosofia, 1962) interpreta o eterno retorno como princípio seletivo ontológico: só retorna o que se afirma, o que é ativo — o reativo e o niilista se eliminam. O conceito conecta-se ao amor fati e à vontade de potência como elementos do pensamento afirmativo nietzschiano.
Eterno Retorno
Conceito central na filosofia de Nietzsche, formulado como experimento de pensamento: e se tudo o que você viveu tivesse de se repetir infinitas vezes...