Epistemologia — Do grego epistḗmē (conhecimento demonstrativo) + lógos (discurso). Ramo da filosofia que investiga a natureza, as fontes, os limites e a validade do conhecimento humano. Embora as raízes gregas sejam antigas, a palavra “epistemologia” só foi cunhada em inglês pelo filósofo escocês James Frederick Ferrier, em sua obra Institutes of Metaphysic (1854). Suas questões centrais incluem: o que distingue o conhecimento da mera opinião (dóxa)? Quais são as fontes legítimas do saber — razão, experiência, intuição? É possível certeza absoluta? Platão inaugura a discussão no Teeteto, examinando (sem endossar) a definição de conhecimento como “opinião verdadeira acompanhada de razão” (lógos) — origem da análise tradicional do conhecimento como crença verdadeira justificada. Na modernidade, a epistemologia se polariza entre o racionalismo (Descartes, Leibniz), que funda o conhecimento na razão, e o empirismo (Locke, Hume), que o ancora na experiência sensível. Kant opera a síntese crítica: o conhecimento resulta da cooperação entre intuições sensíveis e categorias do entendimento — “pensamentos sem conteúdo são vazios; intuições sem conceitos são cegas”. No século XX, a disciplina se fragmenta em várias frentes: Popper propõe o falseacionismo como critério de demarcação da ciência, Kuhn introduz a teoria dos paradigmas e das revoluções científicas, Quine defende o holismo epistemológico, e Gettier (1963) abala a análise clássica com contraexemplos que mostram casos de crença verdadeira justificada que não constituem conhecimento. Distingue-se da ontologia (que estuda o ser) e relaciona-se de perto com a gnosiologia e a filosofia da ciência.
Epistemologia
Do grego epistḗmē (conhecimento demonstrativo) + lógos (discurso). Ramo da filosofia que investiga a natureza, as fontes, os limites e a validade do…