Contingência — Aquilo que pode ser mas também poderia não ser, e cujo oposto não envolve contradição. É uma das categorias modais fundamentais, ao lado do necessário (o que não pode deixar de ser) e do impossível (o que não pode ser): o contingente é precisamente o que não é nem necessário nem impossível, situando-se assim no campo do possível que poderia realizar-se de outro modo. A distinção remonta à teoria aristotélica dos modos do ser e do juízo e foi sistematizada na lógica modal medieval. Um ser contingente existe, mas não traz em si mesmo a razão de sua existência: poderia não existir, e por isso depende de outra coisa para ser. Em Leibniz, a contingência associa-se às verdades de fato — opostas às verdades de razão, cuja negação é contraditória — e ao princípio de razão suficiente, segundo o qual nada acontece sem uma razão que explique por que é assim e não de outro modo. Na metafísica medieval, Tomás de Aquino parte justamente da existência de seres que podem ser e não ser para concluir, na chamada terceira via, a necessidade de um Ser Necessário como causa última — argumento clássico para a existência de Deus. Já no existencialismo de Sartre, a contingência torna-se condição radical da existência humana: o ser humano encontra-se “lançado” no mundo sem razão prévia nem natureza fixa, e dessa gratuidade brotam a liberdade e a angústia. O conceito articula-se, assim, com noções como possibilidade, necessidade e facticidade.
Contingência
Aquilo que pode ser mas também poderia não ser, e cujo oposto não envolve contradição; categoria modal oposta à necessidade e à impossibilidade…