Bem (Agathon / Bonum) — Conceito central da ética e da metafísica que designa, em sentido amplo, aquilo a que todas as coisas tendem e, em sentido moral, o critério último do que se deve fazer. O termo grego to agathon exprimia originalmente tanto o que é “bom para” um fim (o útil, o vantajoso) quanto o excelente em si. Para Platão, sobretudo na República, o Bem é a Ideia suprema, fonte do ser e da inteligibilidade de todas as outras Formas: na chamada analogia do Sol (livro VI), ele é comparado ao sol que torna visíveis as coisas e dá vida, e essa ascensão até o Bem é dramatizada na Alegoria da Caverna (livro VII). Aristóteles, na Ética a Nicômaco, recusa um Bem único e separado e o redefine em termos funcionais: o bem de cada coisa é aquilo para o qual ela tende por natureza, seu fim ou telos; o bem humano é a eudaimonia, a vida realizada conforme a virtude e a razão. Na ética medieval, Agostinho e Tomás de Aquino identificam o Bem Supremo (summum bonum) com Deus, fim último ao qual tudo se ordena. A modernidade desloca o eixo: Kant, na Fundamentação da Metafísica dos Costumes, recusa qualquer bem “material” como fundamento da moral e admite apenas a boa vontade como bem incondicional, valioso em si mesmo. O Bem articula-se assim com noções vizinhas como o telos (fim), a virtude e a eudaimonia, opondo-se ao mal entendido como sua privação ou ausência.


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