Belo (Kallos, to kalon / Pulchrum) — Qualidade que suscita prazer, admiração ou aprovação na contemplação, e objeto central da estética e da filosofia da arte. O termo grego to kalon abrange não só o belo sensível, mas também o que é nobre ou excelente, unindo dimensões estética e moral. Em Platão, sobretudo no Banquete, o belo é reflexo da Ideia de Beleza no mundo sensível: a alma, despertada pelo amor (eros), ascende dos corpos belos às almas belas e, por fim, ao Belo em si (auto to kalon), eterno e imutável. Plotino, nas Enéadas, vê a beleza como o resplendor da forma que ordena a matéria, irradiação do Uno. Na escolástica, Tomás de Aquino fixa três condições do belo: integridade (integritas), proporção ou harmonia (proportio) e claridade ou esplendor (claritas). A virada moderna ocorre com Kant, na Crítica da Faculdade do Juízo (1790): o belo provoca um prazer desinteressado — independente de desejo ou conceito — e exige uma validade universal subjetiva, distinguindo-se assim tanto do agradável (meramente privado) quanto do sublime, que excede a imaginação e remete à grandeza da razão. Hegel, por sua vez, define o belo artístico como o “brilho sensível da Ideia”, isto é, a manifestação concreta do espírito na obra. O conceito articula-se, portanto, com noções vizinhas como o sublime e o gosto, e percorre a tensão entre uma beleza objetiva, fundada na proporção, e uma beleza fundada no juízo do sujeito.
Belo
Qualidade que suscita prazer, admiração ou aprovação na contemplação, e objeto central da estética e da filosofia da arte. O termo grego to kalon…