Antirrealismo (do grego anti-, “contra”, e do latim realis) — Nome genérico das posições que negam que um determinado domínio (o mundo externo, entidades teóricas, valores, objetos matemáticos) exista ou tenha propriedades independentemente de nossas mentes, práticas ou linguagem. Como o realismo, define-se sempre por domínio, e não há um antirrealismo único. Suas formas clássicas incluem o nominalismo sobre os universais e o idealismo de George Berkeley, para quem existir é ser percebido (esse est percipi). Na filosofia da ciência, o instrumentalismo trata teorias como ferramentas de predição, e o empirismo construtivo de Bas van Fraassen (The Scientific Image, 1980) sustenta que a ciência visa à adequação empírica, não à verdade sobre o inobservável. Na ética, o não cognitivismo e a teoria do erro negam que haja fatos morais objetivos. Michael Dummett, a partir de “Truth” (1959) e “Realism” (conferência de 1963), reformulou a disputa em termos semânticos: o realista aceita que todo enunciado de um domínio é determinadamente verdadeiro ou falso, mesmo que não possamos saber qual; o antirrealista vincula a verdade à possibilidade de verificação ou justificação, o que leva a revisar a lógica clássica em favor da lógica intuicionista. Hilary Putnam, com o “realismo interno”, é frequentemente situado em posição intermediária. O antirrealismo é criticado por supostamente dificultar explicar o sucesso da ciência, argumento conhecido como “argumento do milagre”.

Ver também: Berkeley, Hilary Putnam, Kant, Verdade, Empirismo.


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